Não deixe que o Brexit rompa as cadeias (de fornecimento)

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No início, o Brexit era uma ameaça. Atualmente a União Europeia prolongou até o início da nova contagem regressiva de dois anos até 31 de janeiro de 2020 à saída efetiva do Reino Unido. As reações e medidas – tomadas na medida do possível – não cessaram desde o referendo decisivo e os atores afetados tomam posições para defender os seus interesses comerciais.

Pendente ainda da ratificação parlamentar de rigor e de qualquer mudança provável na atitude britânica, derivada das suas próximas eleições, persiste a incerteza sobre o futuro imediato das atividades comerciais entre as duas partes. As empresas, estão há meses a fazer contas sobre o quê, quando e quanto esta operação de desintegração significa.

De entre as muitas variáveis envolvidas neste processo de desunião, a cadeia de fornecimento, será uma das áreas mais afetadas, como vem referido num relatório da a PWC sobre o Brexit. Desde o início foi atribuída grande importância às mensagens transmitidas aos potenciais afetados pelas consequências da saída britânica. Neste capítulo, tanto o Governo Português como o britânico estão a realizar esforços no terreno no sentido de alertar para estarmos preparados, mas também no sentido de como nos podemos preparar.

Por outro lado, o Departamento Britânico de Receitas e Alfândegas (equivalente à nossa Autoridade Tributária e Aduaneira (AT)) registou automaticamente 95.000 empresas com sede no Reino Unido que importaram bens da UE durante 2018 no sentido de os ajudar a simplificar os seus procedimentos e transações, concedendo-lhes seis meses para declarar as suas atividades e pagar impostos.

Com esta atitude pragmática, o Governo de Boris Johnson encontra-se a implementar salvaguardas comerciais para diminuir os riscos impostos pelo iminente Brexit. De acordo com a publicação especializada Supply Chain Dive, o executivo vai restabelecer a Operação Brock, um plano destinado a manter o trafego em movimento em caso de congestionamento de carga no Porto de Dover, assim que o Brexit seja oficializado. A iniciativa pretende minimizar o impacto na população residente, nas empresas e nos serviços públicos.

Este Governo também publicou cartas consultivas para as empresas que comercializam com a União Europeia, descrevendo os requisitos para importadores e exportadores. Esta questão inclui a necessidade de verificar as taxas pós-Brexit para verificar as taxas a pagar.

Desta forma, informar e prevenir são tarefas obrigatórias que estão a ser cumpridas com rigor. Contudo, além de optar por uma estratégia defensiva, as empresas devem passar ao “ataque” e esforçar-se por inovar nos procedimentos das operações de compras e, em especial, nas suas relações com fornecedores, bem como na cadeia de fornecimento. Referimo-nos, principalmente, ao abandono de sistema envelhecidos e a digitalização de operações que melhorem os resultados para benefício dos seus clientes e da produtividade. Mensagem para os diretores de compras que resistem ainda a entrar no caminho da digitalização: o investimento em tecnologia ajudá-los-ia a compensar e mitigar os riscos produzidos por contextos incertos, como o atual.

Num futuro não muito distante, tecnologias como processamento de linguagem e Machine Learning trarão os “contratos inteligentes” para mais perto da realidade. Esta questão permitirá às empresas combinar melhor a sua despesa com o estipulado legalmente e incrementar as normas de bom governo ou compliance dos seus fornecedores.

Falamos também de Big Data e de Inteligência Artificial, que embora atualmente pareçam uma utopia, ajudarão decisivamente a antecipar e prevenir situações não desejadas. Dispor de grandes quantidades de dados precisos sobre fornecedores e a cadeia de fornecimento ajudará a prever interrupções antes que elas ocorram. A monitorização de riscos de fornecedores permite informar com antecedência e eficácia qualquer impacto financeiro, meteorológico, político ou social que possa impactar o fornecimento, oferecendo vantagens e agilidade competitivas.

A análise de Big Data pode aumentar a eficiência dos custo em 10% e o rendimento do serviço em 5%. No final de 2020, um terço dos fabricantes utilizará esta tecnologia. Este tipo de poupança é o que as equipas de compras necessitam para ser operativamente mais eficientes.

A chave não é pois, lamentarmo-nos pelas consequências de uma rutura, mais ou menos abrupta entre um país e a Europa, há já muito antecipada, mas sim atuar com inteligência e a preparação adequada. Todos os especialistas são unanimas em que as organizações que reagem com maior celeridade e eficiência ante as circunstâncias adversas estarão em melhor posição para competir. As que implementarem medidas inovadoras para evitar “quebrar as cadeias” de fornecimento aumentarão a sua eficiência num ambiente, o empresarial, que conhece sobejamente os desafios que enfrenta.

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